O Quarto Grupo

Inicialmente, o setor de asseio e conservação fazia parte do quarto grupo, que abrangia também os trabalhadores do turismo e hospitalidade.

Linha do Tempo
  • 1980As origens e a formação da FEEAC-RS

    Nos anos 1980, o Brasil começava a respirar novos ares trazidos pelo fortalecimento da luta contra a ditadura e o declínio do regime. A defesa da democracia ganhava as ruas, traduzida na bandeira das Diretas Já, e trabalhadores do campo e da cidade voltavam a se organizar mais amplamente após anos de perseguição e censura.
  • 1990Mobilização

    No final dos anos 1990, Henrique e Dirceu, juntamente com outras lideranças, começaram a mobilizar os sindicatos do Rio Grande do Sul para criar uma federação própria. Naquele momento, existiam os sindicatos de Porto Alegre, Caxias do Sul, Novo Hamburgo, Santa Maria e Guaíba. Eram necessários no mínimo seis para que a federação pudesse ser estabelecida e, nesse contexto, acabou nascendo o sindicato de Pelotas.
  • 1999Fundação

    Fundada em 8 de setembro de 1999, a entidade surgiu em um contexto de crescente terceirização e precarização das condições de trabalho e, ao mesmo tempo, de luta pelos direitos dos trabalhadores em geral e dos de asseio e conservação, em particular — setor historicamente invisibilizado, mas que desempenha um papel crucial para a saúde, o meio ambiente e bem-estar da sociedade.
  • 2006Oficialização

    Foi assim que no dia 8 de setembro de 1999, a FEEAC-RS foi oficialmente criada – seu registro definitivo no Ministério do Trabalho, no entanto, só saiu sete anos depois, em 2006.

A fundação da Federação representou um novo passo para a luta dos trabalhadores do asseio e conservação, que passaram a ter uma entidade própria, em âmbito estadual, capaz de congregar os sindicatos e ter mais força para garantir os direitos e a dignidade da categoria.

“Uma coisa que eu sempre disse aos mais jovens é que eles têm de respeitar e defender esses trabalhadores. Foi uma luta muito grande conseguir fazer tudo o que fizemos até aqui e tudo isso deve ser mantido porque não pertence a nós, e sim à categoria do asseio e conservação.”

Dirceu de Quadros

Uma federação “de mochila”

Como acontece no início de qualquer entidade, os primeiros anos da Federação foram marcados por desafios estruturais e organizacionais. Como Henrique Silva relembra, inicialmente a FEEAC-RS era uma federação “de mochila”. Sem uma sede própria e com recursos limitados, o que havia da entidade — basicamente os seus documentos — cabiam numa mochila.

Naquele tempo, os líderes sindicais passaram a percorrer o estado, visitando sindicatos e trabalhadores, discutindo estratégias de mobilização e fortalecendo a base de representação.

Finalmente, o trabalho incansável de organização levou à conquista da primeira sede. Localizada na Avenida Siqueira Campos, 1.170, em Porto Alegre, junto ao SEEAC, o local permitiu que a Federação consolidasse sua atuação e oferecesse uma estrutura adequada para suas atividades.

Aos poucos, a FEEAC-RS começou a ganhar força e a se estabelecer como uma importante entidade no cenário sindical gaúcho, sempre com foco na valorização dos trabalhadores de asseio e conservação e na melhoria das condições de emprego e salário.

Lutas

Enfrentando as
cooperativas de fachada

Entre os anos 1990 e 2000, com a ascensão e consolidação do neoliberalismo, grandes mudanças afetaram o mundo do trabalho, aumentando o desemprego e a precarização, rebaixando os salários e retirando direitos. O setor de asseio e conservação também sofreu com esse novo cenário e, em especial, com o crescimento da terceirização.

Uma das grandes lutas travadas pela FEEAC- RS foi contra a proliferação das cooperativas de fachada que, na prática, funcionavam como empregadoras disfarçadas, explorando os trabalhadores e deixando de assegurar direitos como o 13º salário, férias e carteira assinada.

A atuação dessas cooperativas precarizava as condições dos trabalhadores e ameaçava todas as conquistas que a Federação havia alcançado até aquele momento, além de fragmentar a categoria e dificultar a organização sindical.

Para fazer frente a essa situação, a FEEAC-RS fechou uma parceria inédita com o sindicato patronal, garantindo que os trabalhadores desse tipo de cooperativa tivessem assegurados os mesmos direitos que os demais.

Essa luta foi decisiva para proteger a categoria de asseio e conservação da precarização e da perda de direitos básicos, mantendo a dignidade do trabalho no setor.

Convenção Coletiva